quinta-feira, 5 de março de 2015

A cultura e a natureza majestosa inspiram

A Vitória-régia inspira produtos do Projeto Brasil Original nas comunidades artesãs de Barcelos/AM. 
A natureza majestosa somada à cultura ímpar das comunidades indígenas e ribeirinhas. Essa fusão de referências perfeitas nutrem o Projeto Brasil Original embasado no artesanato e suas tramas de tradição, memória e ancestralidade. A ação do Sebrae Amazonas com consultoria do Estúdio Sérgio J. Matos chega à segunda etapa e no curso das águas do Alto Rio Negro vai agora ancorar em Barcelos. A cidade que foi a primeira capital do Estado e mantém sua importância de polo econômico e estratégico na região guarda belezas singulares de um patrimônio material e imaterial surpreendente. A rica experiência em São Gabriel da Cachoeira – na fase anterior - só aguça a expectativa de vivenciar novos dias de imersão em saberes e fazeres revestidos de ritos que resistem ao tempo.

Vou a Barcelos com o desejo da troca de conhecimentos, de aprender mais e mais com os povos da floresta, de me fartar com a cultura de gerações que pontuam a nossa própria história. É como mergulhar nas raízes da formação social do Brasil, onde ainda é possível se encantar com os sons dos dialetos, as pinturas tribais cheias de significados e as lendas que habitam a imensidão das matas, os leitos dos rios e os igarapés. Sorvo estas referências e traço o conceito de novos produtos que compõem o projeto idealizado para enaltecer sustentabilidade e promover a inserção do design inovador em harmonia com a identidade regional. 

Em meio a atmosfera suntuosa escolhi e colhi como inspiração a Vitória-régia, planta icônica da Amazônia que flutua sobre as águas e embala mitos de poesia, beleza e paixão. A imponência da folha e o exotismo da flor reservam surpresas que brotarão nas mãos dos artesãos. As mesmas mãos acostumadas às tramas de desenhos gráficos que também assinalam a criação dos objetos que aliam beleza e função. Pela riqueza artesanal e os valores simbólicos almejo que traduzam a majestade do lugar e sua gente. 
Os desenhos gráficos são uma marca do artesanato local e referenciam a criação de novos objetos.
Às margens do Rio Negro Barcelos é uma das cidades mais importantes do Amazonas. 


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Cenografia: uma rota para os Jovens Designers

A cenografia da 5ª Mostra Jovens Designers foi descortinada com a abertura do evento (no dia 12 de fevereiro) no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. O projeto concebido pelo Estúdio Sérgio J. Matos é, conceitualmente, uma rota de visualização à produção realizada por estudantes de Design de todo o Brasil. A inspiração ancorada nos caminhos de madeira que conectam as palafitas – habitações erguidas em locais alagadiços - reproduz em 150 metros quadrados de área meu olhar particular desse recorte do real. Além disso, oferta a experiência imaginária do caminhar entre as casas suspensas presentes nas periferias de cidades brasileiras como Belém, Salvador, Recife e Manaus. Os passadiços de tábuas sobre estacas - que desenham um certo caos urbano para garantir acesso e mobilidade à população - estabelecem a ideia central da ambientação. Na atmosfera simbólica, expõe leveza e harmonia. Sensações que estão na placidez dominante do branco, na iluminação, no jogo de luz e sombras e nas soluções com materiais simples.

Pequenos blocos de concreto são os suportes que mantêm de pé 1000 cabos de vassouras com extensão de três metros. Lado a lado eles criam divisórias vazadas numa alusão às estacas de sustentação para os caminhos das palafitas. Geram, também, efeito de cortina entre os módulos de MDF que abrigam os produtos em exposição e convidam a descobrir o que está por detrás do emaranhado de madeira. Aos meus olhos o resultado é acolhedor, com uma carga reflexiva sobre o que a vista não alcança fora da zona de conforto, do cotidiano com caminhos bem traçados.

Desse projeto desafiador faço um rol de gratidão: à Marici e Andressa da Origens Produções pela confiança de tamanha tarefa; à equipe que integra o Estúdio (Rennan, Diogo e Suelly); aos amigos que dão uma mão e o coração nas horas mais extremas (Denise, Agenor, Ísis e Roberto) e a parceria da designer Camila Carol nas incontáveis horas de trabalho. É preciso recordar que antes de ser a cenografia real e palpável, ela foi ideia, lampejo, rabisco no papel, esboço na tela do computador. Antes de deixar o status de quebra-cabeças a ser montado, foi uma série de caixas recheadas com as partes que seriam o todo. Cada um deixou um rastro nesses caminhos de madeira para que os visitantes da mostra passem por eles e contemplem inovação e criatividade. 







Os caminhos de madeira das palafitas são a inspiração da cenografia. (Foto: reprodução)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pelos caminhos da cenografia

O Museu da Casa Brasileira abriga a 5ª Mostra Jovens Designers, com cenografia do Estúdio Sérgio J. Matos.
A cenografia também ocupa minha mesa de projetos habitualmente preenchida pelos desenhos de produtos. Me leva a desbravar caminhos. Os da memória, da história que resiste ao tempo, das comunidades artesãs e outros de realidades longínquas espalhadas por esse Brasil afora. É desafiador conceber um espaço cênico revestido da atmosfera que envolve o evento e seu público cheio de expectativas. Partir de uma ideia, traçar formas, optar por cores, texturas e iluminação exige o olhar apurado para o todo sem perder de vista os mínimos detalhes atrelados às emoções e sensações. É, também, um exercício de se colocar no lugar do espectador (uma, outra vez e quantas sejam necessárias) para experimentar questionamentos, impactos, simbologias e perspectivas.

O projeto cenográfico conta uma história. Me debruço agora sobre a montagem da narrativa que embala a realização da 5ª Mostra Jovens Designers. O evento com abertura na capital paulista no dia 12 de fevereiro, no Museu da Casa Brasileira (MCB), também será levado à cidade de Florianópolis (Santa Catarina) e Milão, Itália. Nesta edição, a cenografia da exposição itinerante que estimula a formação de novos talentos vai guiar o público, conceitualmente, pelos caminhos de madeira das palafitas. Aqueles de tábuas, como pequenas pontes que conectam as habitações erguidas em áreas alagadiças e que são comuns em municípios brasileiros a exemplo de Manaus, Belém e Salvador. Na vida real, caminhos de mobilidade arquitetados pelos moradores das comunidades para sanar o direito de ir e vir. Na cenografia, um trajeto simbólico que conduz à produção de estudantes de design de todo o país. De momento, uma rota de segredos e surpresas.

Montagem da cenografia inspirada nos caminhos de madeira que conectam as palafitas.
A concepção do projeto estabelece uma rota de surpresas aos visitantes da mostra.
      A exposição é uma vitrine para os novos talentos do design brasileiro.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Design na Paralela, sob a arquitetura do MuBE

Trama artesanal do Pufe Carambola.
Malas prontas outra vez. O Design traça linhas a seguir e embarco nelas com o desejo de fortalecer a imagem do Estúdio Sérgio Matos no mercado brasileiro e além das fronteiras nacionais. Vou à Paralela Móvel, feira de negócios sublinhada por palavras como inovação, tendência e sustentabilidade. A arquitetura moderna do MuBe – Museu Brasileiro da Escultura, na capital paulista, é o cenário para o evento que acontece entre os dias 2 e 5 de fevereiro. Sob a viga perpendicular do edifício projetado por Paulo Mendes da Rocha, a Paralela chega à quinta edição com o fôlego de espaço de integração entre estúdios de criação, arquitetos e lojistas. Uma vitrine que chancela o trabalho autoral, o lançamento de novos materiais, a produção sustentável e a visibilidade do design brasileiro aos olhos de quem antes só enxergava a produção de nomes estrangeiros.

Na bagagem levo peças que têm a assinatura singular do Estúdio pelas tramas têxteis de confecção artesanal. Estão carregadas de referências culturais e tradições ancestrais que aninham vínculos de pertencimento. Um diálogo do design funcional e de estética atraente capaz de fazer desatar emoções e sentimentos. O Sofá Caçuá, a Poltrona Balão, produtos da coleção Chita (cadeira e luminária), a Poltrona Arreio, o Pufe Carambola, a Fruteira Marakatu e objetos da coleção Grades do Recife. Produtos para o público tocar e conhecer de perto as imersões culturais materializadas em formas, detalhes e amarrações que atam recortes da história. Um paralelo da nossa identidade.  

[English Text]

Design at Paralela, under architecture of MuBE 

Bags packed again. The Design goes on following lines and I embark on them with the desire to strengthen the image of Studio Sergio Matos in the Brazilian market and across national borders. Go to Paralela Móvel (Parallel Furniture), a business fair underlined by words such as innovation, trend and sustainability. The modern architecture of MuBE - Brazilian Museum of Sculpture in São Paulo, is the setting for the event that takes place between the 2nd and 5th of February. Under the perpendicular column of the building designed by Paulo Mendes da Rocha, Parallel reaches the fifth edition with the breath of space integration between creation studios, architects and shopkeepers. A showcase that seal the original work, the launch of new materials, sustainable production and visibility of Brazilian design in the eyes of those who previously saw only the production of foreign names.

In the bag, I take pieces that have the unique signature of Studio by textile weaving and design making. Loaded with cultural references and traditions which belongs to them. A functional design dialogue and attractive aesthetics able to unleash emotions and feelings. The Sofa Caçuá, the Balloon armchair, products of Chita collection (chair and lamp), the Harness armchair, the Carambola pouf, the Marakatu Fruit Bowl and objects of Recife Grills collection. Products for public play and get to know the cultural immersions materialized in forms, details and moorings knotting clippings of the story. A parallel of our identity.
Detalhe da Luminária Chita, inspirada no tecido que veste a cultura popular.
Vaso da coleção Grades do Recife.
Exotismo no design da Poltrona Acaú, com inspiração nos corais do litoral da Paraíba.
Cadeira Chita: desenho de amarração que ata memória e tradição.  
A arquitetura moderna do MuBE vai abrigar a Paralela Móvel.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Identidade na trama do Projeto Brasil Original


Identidade. A palavra traduz os primeiros frutos do projeto Artesanato Brasil Original, realizado em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. A iniciativa do Sebrae/AM, com consultoria do Estúdio Sérgio J. Matos, resulta em peças que exaltam a essência da cultura indígena que se faz forte e presente na formação social da cidade e no cotidiano da comunidade de artesãos. As fibras, a paleta de cores obtidas com tingimento natural, as tramas que entrelaçam saberes de gerações imersas no coração da floresta e seu pulsar.
  
Há mais que formas e texturas que definem vasos, luminárias e fruteiras. Os produtos com inspirações colhidas do entorno - como a folha de Uambé – carregam valores simbólicos e extravasam sentimentos. Contêm o calor das mãos de quem as executou; as histórias que tecem o fazer artesanal; o olhar atento; as expectativas e sonhos que atam um esboço de futuro a partir da fusão do artesanato com o design. Sou grato pela experiência, pela troca de conhecimento, pelo aprendizado de palavras em Nheengatu (língua nativa), pelas horas de trabalho compartilhadas ao lado de pessoas tão especiais e generosas.

Ao deter-me diante de cada objeto penso que a fibra de Tucum adotada como matéria-prima tem a tenacidade e resistência de Gilda, Margarida, Suzana, Albertina, Maria de Jesus, Roberta, Elizabete, Maria Taurina, Geuza, Estela, Maria das Dores, José Garcia e Duda. São os artesãos de um Brasil original. Eles que às margens do Rio Negro mantêm vivas suas tradições e ancestralidade e compartilham essa riqueza em produtos ímpares, com o selo da identidade que desperta a atenção dos quatro cantos do mundo. Tenho orgulho de integrar um pedaço dessa história.

[English Text]

Identity in weaving of Brazil Original Project

Identity. The word translates the first fruits of the project Artesanato Brazil Original, at São Gabriel da Cachoeira, at the Amazon. The initiative of the Sebrae / AM, with consultancy of Studio Sergio J. Matos, results in pieces that exalt the essence of Indian culture that makes it strong and present in the social formation of the city and in everyday artisans community. The fibers, the palette of colors obtained with natural dyes, the plots that intertwine knowledge of generations immersed in the heart of the forest and its pulse.

There are more than shapes and textures that defines vases, lamps and fruit bowls. Products with surrounding inspirations - like a sheet of Uambé - carry symbolic values ​​that transcend feelings. Contain the warm hands of those who made them; the stories that weave the hand making; the watchful eye; expectations and dreams that bind a future draft from the merger of the craft with the design. I am grateful for the experience, the exchange of knowledge, by learning words in Nheengatu (native language), the hours of work shared with people so special and generous. 

When I stop in front of each object, I realize the Tucum fiber, adopted as raw material, has the tenacity and endurance of Gilda, Margarida, Suzana, Albertina, Maria de Jesus, Roberta, Elizabete, Maria Taurina, Geuza, Estela, Maria das Dores, José Garcia and Duda. There are artisans of an original Brazil. Those who are born by the Negro River boards and keep alive their traditions and ancestry and share this wealth in odd products with the seal of identity that draws attention from all over the world. I am proud to integrate a piece of that history.
A artesã Bete com o vaso Uambérawa, elaborado com fibra de Tucum.

Luminária Kuripako realizada pelo artesão José Garcia.

A folha de Uambé reproduzida na fruteira apresentada com orgulho pela artesã Estela.
Inspiração colhida na floresta para produtos com identidade local.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nossa trama mais elaborada é a humana


Gracinha, artesã que realiza os produtos da coleção Balaio de Cores.

O ano chega ao fim e a gente só tem motivos para celebrar. Olhamos para cada mês, semana e dias que fizeram a trama do Estúdio Sergio J. Matos e o sentimento é de satisfação. Nesse tempo transcorrido há muito mais que o término de um ciclo marcado pelo reconhecimento do design com identidade brasileira. Há momentos. Uma teia deles que conecta encontros, colaboração, parcerias. Somos uma equipe. Fios que se cruzam harmoniosamente na composição do trabalho que acaba de completar quatro anos e ocupa espaços pelos quatro cantos do Brasil e além de suas fronteiras.

O Estúdio transcende a assinatura que remete ao design com memória e tradição. É feito de laços que unem uma rede colaborativa que começa nas pesquisas, nos rabiscos sobre a mesa, nas conversas que ajustam projetos. São trocas de ideias, de experiências que concretizam produtos que para além da função narram histórias da nossa cultura e levam o calor das mãos que projetam, forjam, moldam, estruturam, tramam, soldam, pintam, embalam... Da concepção à finalização e destino das peças todos que integram a equipe têm seu papel e importância. Em nome do Sr. Antônio que executou o primeiro produto – o Banco Xique-Xique – e do Sr. Geraldo que ata as linhas da nossa história no cotidiano faço reverência às habilidades de cada um. 

Tenho orgulho de afirmar que entre tantas tramas têxteis que traduzem a identidade do que fazemos, a mais elaborada e rica é a humana. A todos que são parte dessa tessitura, incluindo aqueles que estiveram de passagem, minha gratidão: Antônio, Geraldo, Francisca, Ritinha, Gracinha, Jane, Glaucia, Alba, Ana Cristina, Ana Maria, Iris, Fabiana, Ledson, Val, Bira, Márcio, Alexandre, Adriano, Gilvan, Rennan, Suelly, Carol, Diogo, Lúcia, Danielle, Demilton, Renato, Isabela, Jéssica, Luciana, Rita de Cássia, Pedro, João, Rafaela e Paulo.
Equipe do Estúdio Sérgio J. Matos na execução do Tapete Marakatu By Kamy. 
Rennan: assistente de Design nos projetos do Estúdio.  

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Nosso design rodopia no MAM

Roda Pião: luminária desenvolvida pelo Estúdio Sérgio J Matos para os colecionadores do MAM.

Na magia que embala dezembro, nosso design rodopia no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Integramos com muito orgulho a seleção de designers que participam da Edição 2014 do Clube dos Colecionadores do MAM, com curadoria de Marcelo Rosenbaum. A luminária Roda Pião - elaborada artesanalmente a partir do brinquedo cônico de madeira e ponta metálica - resgata o lúdico, a brincadeira de rua e as memórias que giram no eixo da infância de tantas gerações. A simplicidade da peça reside na conexão dos piões que remonta a uma pilha deles em equilíbrio. Convida a pensar que a criatividade inusitada de uma criança deu nova função ao objeto após esgotar o interesse em torno do propósito original, do giro acionado pelo desenrolar de um cordão.  

A produção de uma centena de luminárias pelo Estúdio Sérgio J. Matos será entregue pelo MAM aos sócios do clube com certificado de autenticidade. Um exemplar fica incorporado à coleção permanente do museu. A iniciativa da instituição fomenta o colecionismo ao mesmo tempo que impulsiona a produção artística nacional. A formalidade da associação é anual e concede o direito a cinco obras comissionadas pelo museu a cada edição. Peças dos renomados designers Zanini de Zanine, Fernando Maculan, Andrea Bandoni e Guilherme Wentz também serão parte de acervos daqueles que são fãs de carteirinha do design com identidade bem brasileira.

[English Text]

Design whirls at MAM

The magic that embrace December, our design whirl at the Modern Art Museum of São Paulo. We integrate with proud the selections of designers who participates of t 2014 Edition of The Collectors Club of MAM, curated by Marcelo Rosenbaum. The luminaire RodaPião – handmade design from the tapered wooden toy and metal tip, the whipping-top – rescues the playful, street play and the memories that turn the shaft of the childhood of so many generations. The simplicity of the piece lies in the connection of tops that goes back to a stack of them in balance. Calls to think that the unusual creativity of a child gave new function to the object after running out of interest around the original purpose, turning triggered by the unwinding of a cord.

The production of a hundred lamps at Studio Sergio J. Matos will be delivered by MAM club members with certificate of authenticity. A copy shall be incorporated into the permanent collection of the museum. The initiative of the institution encourages hoarding while driving the national artistic production. It is an annual formality from the association and grants the right to five works commissioned by the museum in every edition. Pieces of renowned designers Zanini of Zanine, Fernando Maculan, Andrea Bandoni and William Wentz will also be part of the collections of those who are die-hard fans of the design with well-Brazilian identity.

Os piões são matéria-prima carregadas de memórias da infância.
 A simplicidade da luminária reside na conexão dos piões.



sábado, 13 de dezembro de 2014

Um Brasil Original, feito à mão

No Projeto Brasil Original, parceria do Sebrae/AM e do Estúdio Sérgio J. Matos, a riqueza do artesanal. 

O Rio Negro me trouxe de volta a São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Tenho os olhos cheio d’água. Não consigo conter a emoção com a acolhida, com o aprendizado e as histórias que embalam cada uma das artesãs do Projeto Brasil Original, parceria do Sebrae Amazonas e do Estúdio Sérgio J. Matos. Nesta segunda etapa para execução dos produtos, deixei de ser um estranho no ninho dessa imensa floresta que abraça a cidade. Há sorrisos abertos, olhos que brilham e assentem nas conversas que pouco a pouco são mais soltas e envolventes, revelando porções generosas das pessoas que são parte deste convívio temporário e tão intenso.

Os dias são presentes. É como desfazer o laço de uma embalagem vistosa a cada alvorada. Essa fase do projeto é uma verdadeira imersão nos saberes dos povos que aqui habitam. Me sinto especial ao testemunhar a artesã Maria acender o fogo para tingir fibras de Tucum com plantas colhidas do seu quintal. Uma cartela de 27 cores naturais obtidas com técnicas que atravessam gerações. Acompanhar, sem pestanejar, a habilidade de Gilda e Margarida na trama dessas mesmas fibras que formatam os produtos inspirados no desenho da folha de Uambé (planta típica da região amazônica) é também uma experiência ímpar. Estou às voltas com guerreiras da etnia Baré. Maria das Dores, Maria das Graças, Bete, Esther, Gilda, Margarida... Elas que tecem um Brasil Original, que acreditam na arte, que respeitam a floresta, que cultivam ritos e se orgulham da identidade que carregam. Só tenho a agradecer por estar aqui e digo isso em Nheengatu, a língua nativa: Kuekatureté.

[English Text]

Original Brazil, handmade

The Negro River brought me back to São Gabriel da Cachoeira, in Amazonas. I have eyes filled with tears. I can not contain my emotion with their welcome, with learning and the stories that pack each of Brazil Original Project artisans, partnership Sebrae Amazon and Sergio J. Matos Studio. In this second fase to execution of products, I stopped being a stranger of this huge forest that embrace the city. There is open smiles, eyes that shines and settle in conversations that little by little are more loose and engaging, revealing generous portions of people who are part of this temporary and so intense experience.
The days are just like gifts. Is like undo a nod of a beautiful package of every dawn. This stage of the project is a true immersion in the knowledge of the people who live here. I feel special to witness the artisan Maria light the fire to dye Tucumán fibers with plants from your yard. A pack of 27 natural colors obtained with techniques that cross generations. Looking without blinking, the ability to Gilda and Daisy in the plot of those fibers that shape the products inspired by the design of the Uambé sheet (typical plant of the Amazon region) is also a unique experience.I'm dealing with warriors of Baré ethnicity. Maria das Dores, Maria das Graças, Bete, Esther, Gilda, Margarida... They are weaving a Original Brazil, who believe in art, that respect the forest, farming rituals and are proud of the identity they carry. I can only thank you for being here and I say this in Nheengatu, the native language: Kuekatureté.

Grupo de artesãs tece fibras naturais para a confecção dos produtos. 


Da etnia Baré, Maria tinge a fibra do tucum com pigmentos naturais.

             Olhares atentos e mãos habilidosas na trama do artesanato com a identidade dos povos da floresta
 . 
  



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Design é mais que forma e função

Turma da pós-graduação em Design e Arquitetura de Espaços Efêmeros do IESP (Foto: acervo DAEE).

Quando você compartilha conhecimento abre suas portas de andanças, de memórias, de experiências abarrotadas de emoções. Divide seu olhar com o outro, suas perspectivas de enxergar o mundo, de posicionar-se nele para contribuir com a transformação que a dinâmica da vida em sociedade exige. Ensinar é uma maneira de seguir aprendendo; é troca e questionamento sobre o que já se julgava certo e completo. Essa transferência mútua de saberes está bem fresca com as aulas que acabo de lecionar junto à turma de Pós-graduação em Design e Arquitetura de Espaços Efêmeros (DAEE), do Instituto de Educação Superior da Paraíba-Iesp.


No módulo "História do Design Brasileiro e Contemporâneo", a teoria expandiu caminhos à experimentação. Conduzi os alunos à uma imersão na feira livre de Campina Grande. Partilhei com eles um dos meus territórios de inspiração favoritos pela carga de identidade e cultura regional presente nos objetos que integram o cotidiano. Artefatos impregnados de códigos e simbologias que traduzem modos e costumes. Pude referendar que design é muita mais que forma e função e que tem a ver com o sentir, tocar e ouvir histórias. Para o laboratório que aconteceu no Estúdio Sérgio J. Matos os estudantes exercitaram a ideia de que os materiais vão além dos mostruários da indústria e que a criatividade transcende o óbvio.  

[English Text]

Design is much more than form and function

When you share knowledge, you open your doors of walking, of memories, of experiences filled with emotions. Divides your look with each other, your perspectives of seeing the world, getting a position to contribution of the transformation, which guides us in society demands. To teach is a way of learning; is sharing and questioning about what has thought right and complete. This mutual transfer of knowledge is fresh with the lessons I taught by the Graduate class in Design and Architecture of Ephemerous Space, of Superior Education Institute of Paraíba-IESP.

In the module "History of Design and Contemporary Brazilian", the theory expanded paths to trial. I led students to an immersion in the street fair of Campina Grande. Shared with them one of my favorites places of inspiration by the load of identity and regional culture present in objects that are part of everyday life. Artifacts impregnated with codes and symbols, translating manners and customs. I could endorse that Design is much more than form and function and has to do with feeling, touching and listening stories. To the Lab that happened in Sergio J. Matos Studio, the students exercised the idea that the materials go beyond the industry showcases and that creativity transcends the obvious. 

Aula do Módulo "História do Design Brasileiro e Contemporâneo". (Foto: acervo DAEE)

Feira livre de Campina Grande: laboratório de pesquisa e inspirações. (Foto: acervo DAEE)
Da inspiração à prática na criação de peças com identidade brasileira. (Foto: acervo DAEE)

Celebração do fim do módulo com o design que evoca memória e tradição. (Foto: acervo DAEE)




sábado, 22 de novembro de 2014

Pelos caminhos do Design Armorial


O Mundo do Sertão: iluminogravura de Ariano Suassuna (1983), idealizador do Movimento Armorial.

Aonde o design me leva? A caminhos surpreendentes. Desta vez, me conduz ao Nordeste Armorial, onde a voz mansa do mestre Ariano Suassuna ainda ecoa ao proclamar as bases do Movimento Armorial criado nos anos 70. A viagem a este universo povoado de elementos da cultura popular divido ao lado dos designers Rodrigo Ambrosio, Zanini de Zanine e Rodrigo Almeida. Juntos, integramos o Armorial Design Group para experimentarmos o design a partir das referências do artesanato regional entranhado de signos e símbolos da vida pública e privada.

O coletivo cavalga o território do Nordeste da arte erudita com os olhos na contemporaneidade. Nosso ponto de partida é o curtume. O couro que multiplica-se em objetos do cotidiano e traz à tona a beleza e os ofícios que os tornam únicos pelo valor artesanal. Voltamos no tempo, metaforicamente, para entender os sertões e as memórias neles contidas forradas com peles de animais. Deciframos códigos e a poesia pontuada e gravada no couro com assinaturas como a dos artesãos Espedito Seleiro, no Ceará, e de Biagio Grisi, na Paraíba.

A inspiração transborda e a atmosfera armorial impregna nossos primeiros exemplares exibidos na recente edição da Made – Mercado, Arte e Design, em São Paulo, oficializando a existência do grupo. Fiz apear a criação na “Poltrona Arreio”. As barrigueiras para atar a sela ao corpo do cavalo é matéria-prima que contorna e afivela o aço na composição de uma nova estética e função. No desenho da peça de mobiliário as cintas de couro mantêm o elo com a regionalidade e guardam na essência um repertório de histórias inerentes às tradições que resistem ao tempo.


[English Text]

By the paths of Armorial Design

Where design leads me? The surprising paths. This time, leads me to the Northeast Armorial, where the quiet voice of the master Ariano Suassuna still echoes to proclaim the foundation of the Armorial Movement created in the 70s. The trip to this universe filled with elements of popular culture I divide alongside designers Rodrigo Ambrosio, Zanini de Zanine and Rodrigo Almeida. Together, we integrate the Armorial Design Group to experience the design references from the regional crafts tangled with signs and symbols of public and private life.

The collective rides the Northeast High Art with contemporary eyes. Our starting point is the tannery. The leather that multiplies in everyday objects and brings out the beauty and crafts that makes them unique by handcrafted value. Back in time, metaphorically, to understand the hinterlands and the memories contained therein lined with animal skins. We deciphered codes and the poetry marked and engraved on the leather with the signature as craftspeople Espedito Saddler, Ceará, and Biagio Grisi, in Paraiba.

The inspiration is overflowing and armorial atmosphere pervades our first pieces shown in the recent edition of Made - Market, Art and Design in Sao Paulo, formalizing the group's existence. I did appear the creation of the "Chair Harness". The saddler trappings to tie the saddle to the horse's body is the raw material that surrounds and buckles with the steel in the composition of a new aesthetics and function. In designing the piece of furniture, leather straps keep the link with the regionalism and keep the essence of a repertoire of stories attached to traditions that resist time.
Poltrona Arreio, do designer Sérgio Matos: barrigueiras de cavalo são matéria-prima.
Luminária Carcará, por Rodrigo Almeida: peça de couro assinada por Espedito Seleiro e fibra natural.


Banco Bode Véio, de Rodrigo Ambrosio: a rusticidade marca a estética do design armorial.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dias de celebração com o Design

Quatro anos da abertura do Estúdio: história marcada pela identidade regional dos produtos e premiações. (Foto:Wellington Jan)

Intenso novembro. De novos projetos, de novas rotas e experiências com o design. O mês é também de celebração dos quatro anos de aniversário do estúdio. Marca de uma história agraciada por prêmios nacionais e internacionais que proclamam o reconhecimento do trabalho com os pés na identidade do Brasil que não me canso de descobrir. Novembro de dias tomados pelos rabiscos, traços, formas, cores, tramas, texturas e materiais sobre a mesa. De malas sempre prontas, viagens, aeroportos e participações em feiras (as recentes MADE – Mercado, Arte e Design e Parte – Feira de Arte Contemporânea) que abrem portas para o design brasileiro ser visto e apreciado pelo público de casa e do além mar.

O mês corre vigoroso e voraz. Está quase pela metade e faço uma reflexão sobre o que a agenda ainda me reserva. Mas, o melhor, é degustar a satisfação com o já realizado nestes dias de acenos positivos e emoções dirigidas aos produtos impregnados de memórias. Elas que perpetuam histórias da nossa cultura tão vasta e rica em técnicas ancestrais que resistem pelas mãos das comunidades artesãs. Novembro para saborear o design com o tempero da brasilidade. Novembro da estreia do Armorial Design Group, coletivo que integro cheio de orgulho ao lado dos designers Rodrigo Almeida, Zanini de Zanine e Rodrigo Ambrosio para fomentar o repertório da cultura material nordestina. Mergulhamos nas referências do Movimento Armorial de Ariano Suassuna e guardo detalhes da magnitude deste projeto para o próximo post. Respiro novembro e sinto o ar da regionalidade mais presente do que nunca. 

[English Text]

Celebration days with Design

Intense november. Of new projects, new routes and experiences with the design. The month is also a celebration of the four-year anniversary of the studio. Mark of a history graced by national and international awards that proclaims the recognition of footwork on the identity of Brazil I never tire of discovering it. November days, taken by sketches, lines, shapes, colors, weaves, textures and materials on table. With my suitcase always ready, travel, airports and participation in fairs (recently MADE - Market, Art and Design and Part - Contemporary Art Fair) that opens doors for Brazilian design be seen and appreciated by the home public and by the ones beyond the sea.

The month goes vigorous and voracious. It is nearly in half and I am making a reflection on what the schedule still holds for me. However, the best is to enjoy the satisfaction with the ever accomplished in these days of positive signs and emotions, targeting products impregnated with memory. Are they who perpetuates our culture so vast and rich in ancient techniques that resists by the hands of the artisan communities. November to savor design with spice of Brazilianness. November of debut of Armorial Design Group, collective I integrate full of pride alongside designers Rodrigo Almeida, Zanini de Zanine and Rodrigo Ambrosio to promote the repertoire of Northeastern material culture. We dove in to references of the Armorial Movement of Ariano Suassuna, and I save details of the magnitude of this project to the next post. I breathe November and feel the air of rationality much present than ever.

                    Mesa Lateral Xique-Xique: em 2011 arrebata o Prêmio Excellence Brazil.
                    Pufe Carambola na loja Paul French (Buenos Aires): prêmio iF Product Design Award 2012 na Alemanha.
                    Tapete Marakatu By Kamy: Menção Honrosa do Museu da Casa Brasileira em 2012.
                     Poltrona Acaú: destaque do Estúdio na edição 2014 da MADE, em São Paulo.
                     Recém lançada na MADE a Poltrona Arreio é a primeira peça do Estúdio para o Armorial Design Group. 
                    Luminária Roda Pião desenvolvida para o Clube dos Colecionadores do MAM (2014).